23 fevereiro 2010

À Madeira, a Pérola do Atlântico

http://tsf.sapo.pt/Programas/programa.aspx?content_id=903681&audio_id=1501138

Por Fernando Alves, "No Golden State", em "Sinais"

Carnaval 2010















Quatro "baianas" a espalhar boas energias. O Camdomblé. Um ermita e a sua Luisinha. Dois bonecos de neve rechonchudos e com ar de gostarem do tintol. Muito frio, mas tão quentinhas. É bom ter noites assim, a fazer lembrar que o Carnaval é lindo e que a imaginação não tem limites. Principalmente quando se tem duas amigas que tratam de tudo. Obrigada Rute e Silvi! (Ah e à Paulinha, sem a qual não poderíamos ter registo desta noite, de mais uma noite, do álbum das melhores recordações)

18 fevereiro 2010

Recado

"And now you do what they told ya, now you're under control
And now you do what they told ya!

...

"Fuck you, I won't do what you tell me
Fuck you, I won't do what you tell me!"

by Rage against the machine, "Killing in the name of"

11 fevereiro 2010

Sembinha

"O semba bateu no peito
e a moça aceitou na hora.
E a gente dançou pela noite fora,
e tanto caiu e tanto aprendreu.
Encontrei meu amor no semba."

Paulo Flores

26 janeiro 2010

Vencer na vida

Questiono o que significa o sucesso:

Não gosto que exijam de mim que tenha um carro, que esteja refém da prestação de uma casa, nem que me queiram nas férias deitada ao sol em destinos de pulseirinha turística.

Não gosto que me queiram competitiva, a lutar por algo em que não acredito nem que me tentem impor ideais do dinheiro e da hipócrita ascensão social.

Não gosto que achem obrigatória em mim a aspiração natural a um posto de chefia para veicular diferenças de poder como forma de afirmação pessoal.

O ser humano metamorfoseia-se: o poder nas mãos penetra-lhe na pele, toma-lhe as vísceras, sobe-lhe à cabeça, domina-lhe o coração e – finalmente – transforma-lhe a personalidade. Raras excepções, a pessoa que é subalterna num dia não se mantém a mesma quando chefe amanhã.

A vida agora traça-se por objectivos e agendas e não por sonhos…

Não quero nada disto para mim. Esses são as vossas metas, não as minhas. Nem tão pouco admito que por não almejar aos vossos objectivos me venham dizer que não vou vencer na vida.

16 dezembro 2009

25 anos

Hoje completo 25 anos de VIDA. A ponta da caneta espera instruções de um cérebro, também ele, à procura de directrizes, de um rumo. À descoberta desta ansiosa Catarina dos sonhos (im)possíveis, próprios e para os outros.

Pensei enumerar uma lista de tudo o que quero, mas resolvi que se calhar não é muito boa ideia. Não vão lá as forças superiores achar que sou ingrata. Por isso, acho que hoje, quando morder a vela não vou desejar mas sim agradecer.

A lista de agradecimentos, essa, é enorme – qual discurso de actrizes histéricas em noite de óscares. Hoje quero principalmente agradecer por estar viva. E por ter uma família, composta por pai, mãe, irmã e irmão, que amo acima de tudo, maior que um sentimento, maior do que as palavras conseguem dizer.

Porque hoje completo 25 anos de VIDA permito-me todas as lamechiches, lugares-comuns e perdoo-me este tom egocêntrico do que escrevo.

Rodam na minha cabeça - como uma bobina de filme antigo onde em cada frame há um amigo - todos os amigos que me deram um pedacinho de si e assim me fui construindo e transformei-me neste jogo de legos que sou, com várias cores e formas.

Ah! este meu múltiplo ser que tanto me complica a vida. Sim, mas já entendi que descomplicando o complicado é como se é feliz.

Hoje queria de presente de aniversário um dia de verão, com um sol imponente no céu da minha cor, que nos faz semicerrar os olhos e ao vermos entre as pestanas, ficamos perante um mundo de circulozinhos de luz... Estão 6ºC e chuva. A vida também não é sempre como queremos que ela seja, pois é? Afinal temos que luta com as armas que temos, sem qualquer espécie de conformidade. Por isso, vou ali apanhar um pouco de chuva na cabeça, aproveito para descomplicar um bocadinho, e já volto!

06 dezembro 2009

A nossa Amália, o nosso Fado, a nossa Arte

Sabem aquelas alturas em que nos sentimos a explodir de orgulho? Neste sábado, 05, foi isso que me andou a fervilhar no peito com o concerto de Tributo a Amália. Orgulho por termos uma forma tão sublime de cantar sentimentos, por termos músicos talentosos e cheios de alma e por ver que temos o futuro da nossa música assegurado com fadistas como a Carminho e o Ricardo Ribeiro. Imagens belas ficaram neste meu baú: o "fado blues" do Rui Veloso, as lágrimas de viver a música, a presença do homem cuja música nos avisou da liberdade, uma casual Casa da Mariquinhas e o quadro vivo de uma deusa do fado.

Tributo por: Mariza, Paulo Carvalho, Rui Veloso, Carminho, Ricardo Ribeiro e Fragmentos.
(louvo igualmente os instrumentistas de guitarra portuguesa, viola e viola baixo, cujos nomes não fixei. Por isso, peço desculpa)

Nicolinas 2009


Foi uma edição fria e muito chuvosa. Este ano não fui uma resistente. Mas tradição é sempre tradição e a nossa é a melhor do mundo.

Onde está a luz?

À medida que o Outono se precipita para o Inverno vou vivendo cada vez mais de noite até que cheguei ao ponto de me sentir num breu completo. Acordo de noite e deito-me de noite. E durante o resto do dia – apesar de haver uma luz cinzenta – parece ser sempre noite. Por não haver luz, as pessoas também não têm luz. Só reflectem o nada. São anónimas e baças.

Eu também me sinto parte dessa massa compacta, alheia ao passar dos dias mascarados de noite. Vejo-me a mim igual à pessoa que vai à minha frente e à outra e à outra a seguir. Estou rodeada de espelhos que me reflectem e eu sou apenas mais um espelho que reflecte todos os outros. Todos iguais, ninguém diferente, agimos sempre sobre uma realidade automatizada que se desenrola segundo um procedimento pré-definido.


Porto/Guimarães, 02 de Dezembro de 2009

in: Os Diários no Comboio

17 novembro 2009

A Empresa

Trabalho na Empresa há duas semanas e dois dias. Todos os dias levanto-me às 6h45 se tiver que tomar banho de manhã ou às 7h se já tiver passado essa etapa na noite anterior. Visto-me com as roupas normais de mulher que trabalha na Empresa e passa o dia e os dias entre um monitor e uma cadeira: calças ou saia pelo joelho, botas de cano alto ou sapatos, blusa ou camisola de gola alta, roupas invariavelmente castanhas, pretas ou cinzentas, cabelo apanhado, base na cara para disfarçar as olheiras crónicas e o rímel para avolumar estas minhas curtas pestanas.

Depois preparo a marmita do dia: coloco o mini tupperware de sopa na lancheira azul, três peças de fruta, um pacote racionado de quatro bolachas de aveia e um iogurte de pêssego. Entretanto, já tirei do frigorífico o iogurte líquido para o meu pai que se levanta à hora certa para me levar à estação de comboio.

Ali, dirijo-me à bilheteira, digito o 825, pago os 2.15 euros e entro no comboio onde já reconheço as mesmas caras ensonadas de todos os dias. Uma hora e quarto depois – uma viagem ao som da TSF e das interferências, as 50 olhadelas em direcção ao placar electrónico para acompanhar o avanço no tempo e no espaço e umas sonecas que põem as minhas costas a clamar por socorro – saio do comboio e dirijo-me à Empresa.

Enfio o indicador no porteiro electrónico, empurro a porta pesada e dou o meu sempre bem-disposto “Bom dia!”. Os meus colegas dão-se beijinhos uns aos outros pela manhã mas eu, confesso, sinto-me bastante constrangida com essa coreografia estranha ausente de afectos. No início, os cerca de 50 trabalhadores daquela Empresa pareciam-me uma indistinta massa anónima que dava muitos beijinhos.

Sento-me na secretária, valido-me como uma legítima utilizadora de um sistema para o qual eu sou apenas um número. E começa o dia de labuta com duas paragens para café – uma de manhã e outra à tarde. A pausa maior é para o almoço, refeição que tomo também na Empresa.

Já noite regresso no mesmo comboio rodeada de caras menos frescas e olhares mais gastos – o dia passou e devo ter aproveitado no máximo 60 minutos de luz natural e é a altura em que uma vez ouvi alguém dizer algo que me avassalou por dentro: “Até já, vemo-nos dentro de umas horas”.

Chego a casa às 20h45 ou 21h45, conforme a duração da jornada. Fico junto da minha mãe a comer uma sanduíche e ouço o dia dela. Eventualmente, escrevo no blog e viajo por vidas mirabolantes com a novela da noite. E assim durmo.

No dia seguinte, a seguir e depois, o mesmo.

Quando era miúda nunca imaginei que fosse ter uma vida assim, normal. Há cenários que realmente não nos passam pela cabeça quando somos pequenos – nem como melhores, nem como piores hipóteses. Eu tinha pensado em tudo para mim, menos esta vida.

Que não se leia nesta descrição tons de queixa. Hoje esta vida normal que tenho é o que eu escolhi. É que as vidas exóticas são um engodo e dão muito mais trabalho do que se imagina, principalmente quando somos pequenos.


Porto/Guimarães, 17 de Novembro de 2009

in: Os Diários no Comboio