22 janeiro 2009

Dakar

Salomé, Zany e eu na Formação para Jornalistas sobre Recursos de Água na CEDEAO

Salomé, jornalista da Guiné Conacry, Zany, Rui Silva e eu

Participantes femininas da Formação





Eu e Zany na maior árvore que já vi, no Centro Cultural Francês de Dakar


Montra de tecidos numa das lojas do Sandagá


Um dos muitos carrinhos que vendem café pelas ruas de Dakar

Zany no esquizofrénico Sandagá

15 janeiro 2009

Não sei falar de Amor

Descobri-os nestas férias, durante a viagem de camioneta desde Coimbra até Guimarães. A minha irmã é que me mostrou. Não podia ser doutra forma... Fica aqui aquela que, para mim, é a estrela do repertório dos Deolinda. Porque eu Não Sei Falar de Amor.

Oh vizinho, ora bom dia
como vai a saúdinha?
eu não sei falar de amor...

Oh vizinho e este tempo?
a chuva dá pouco alento...
e eu não sei falar de amor...

Oh vizinho e o carteiro?
que se engana no correio...
e eu não sei falar de amor...

E soubesse eu artifícios
de falar sem o dizer
não ia ser tão difícil
revelar-te o meu querer...

A timidez ata-me a pedras
e afunda-me no rio
quanto mais o amor medra
mais se afoga o desvario...

E retrai-se o atrevimento
a pequenas bolhas de ar...
E o querer deste meu corpo
vai sempre parar ao mar...

Oh vizinho e a novela?,
será que ele ficou com ela?
e eu não sei falar de amor...

Oh vizinho e o respeito?
não se leva nada a peito...
e eu não sei falar de amor...

Oh vizinho então Adeus
vou cuidar de sonhos meus
que eu não sei falar de amor..

Fugir para donde quis fugir


Velho clichet esse que diz que a vida dá muitas voltas. É, dá mesmo... Tanto assim é que quis fugir para donde quis fugir... a minha cidade, a minha Guimarães, a minha gente, o meu sangue a voltar a ter sabor, o meu coração cheio de luz... tudo meu, minha, meus, minhas. Eu.


O brilho dourado da cidade quando contraimos os olhos e vemos através das pestanas a aura das ruas.


Voltei com a consciência que ia voltar a sair. Saudades antes de chegar, ao chegar, ao estar e ao partir... Saudades do que é meu, minha, meus, minhas. Saudades de mim. Eu, uma vez.


Foi de 19.12 a 11.01. Entrei numa máquina do tempo. Funcionou mais ou menos. É sempre assim. Nunca funciona bem. Nós somos outros parafusos, botões e alavancas.

03 dezembro 2008

Inquietação do(s) dia(s)

Será que as pessoas que adoram dar opinião na vida dos outros não sabem que toda a gente tem um espelho em casa?

Mind you own business, damn!

01 dezembro 2008

Nó na garganta

Sempre gostei de histórias – mesmo que ficção – que me atam um nó na garganta.

Benicio del Toro. Nunca me tinha apercebido antes como gosto deste actor. “Coisas que perdemos pelo caminho” fez-me encontrar esse apreço. Benicio (Jerry) é um viciado em heroína. Partilha a história com Halle Berry (Audrey), que está a passar pela pesada dor do luto. O marido, assassinado enquanto tentava salvar uma mulher que estava a ser brutalmente espancada pelo companheiro, cruza estas duas vi(d)as. No meio, os dois filhos que, à sua maneira, buscam também uma forma de sobreviver à morte.

A história equaciona-se da seguinte forma: negativo vezes negativo dá positivo. E, por isso, é um relato da caminhada para o abismo de duas pessoas – uma através do luto, outra através do vício – e que, exactamente por estarem a fazer esse percurso, se salvam. Os planos-detalhe (a forma de encaixe dos corpos para que Audrey consiga dormir, a carícia no lóbulo da orelha, os olhos raiados de dor, a aliança deslizando do dedo enquanto toma banho que comprova a morte) são as pontas que apertam este nó.

Questiona se realmente vale a pena chorar o que perdemos pelo caminho – não todas as coisas, mas se calhar aquelas que achamos importantes e, no fundo, são indiferentes, porque são, afinal, apenas coisas. E de um filme como este não poderia deixar de sair uma lição para pôr o telespectador a reflectir. “Accept the good” para Audrey e “One day at the time” para Jerry. Se bem que para ambos, e para todos nós, as duas máximas são válidas.

Accept the goodOne day at the time!

Numa destas noites de insónia (que até têm sido relativamente raras) o computador (correspondeu à minha necessidade de ver um filme, já que ultimamente tem andado bastante selectivo e permite-me ver apenas o que lhe apetece, sem que eu ainda me tenha apercebido quais são os seus critérios) lá me deu o gosto de assistir a “Coisas que perdemos pelo caminho”. Estreado em 2007, o filme é da experiente realizadora dinamarquesa Susanne Bier.

Porque eu também estive lá



29.11.2008. Pela primeira vez na minha vida não estive no Pinheiro, essa festa magnífica cujas particularidades apenas os vimaranenses entendem. Não estive, mas estive. Estive presente em todos os meus amigos, companheiros de farra, vinho do Porto e baquetadas…

Conto-vos, aqui, como foi o meu Pinheiro. (Lembrem-se que em Cabo Verde vivemos uma hora antes):

20:10 Snowra
Já me tinha deixado uma mensagem para eu ouvir aquele som esmagador e que, atravessando o espaço e o tempo, me leva à minha terra. Fechei os olhos e ouvi o toque do nosso Pinheiro, como durante a tarde que antecede o cortejo o ouço na minha casa, enquanto ultimo os preparativos para a grande noite.

Conta-me que queria beber um vinho do Porto e exactamente nesse momento, a minha irmã que estava com a minha caixa (aquela que tem a mesma pele desde que a comprei, com o asterisco que lhe desenhei quando tinha os meus 16 anos) aparece e lhe oferece um cálice.

Diz-me também que este ano ninguém foi ao Bolama comprar a nossa garrafita de vinho do Porto. É quando surge a voz da Susana dizendo que “O Bolama faliu!” e insistia “O Bolama faliu!”, “Oh Cat, o Bolama faliu!”.

E assim a Sofia foi passando o telefone por todos os presentes através dos quais estive neste Pinheiro. Silvi, Vânia, Cachada, Paulinha, Vila Verde, Drecas e até a Rute. Falei com todos, brindaram por mim e gritaram o meu nome. Senti-me tão bem, tão deles, tão nosso.

01:03 PD Tartaruga
Não fala. Não era preciso. Estou com ela também. Só me faz ouvir o toque de novo e outra vez…

02:58 Vila Verde
Paulinha e Silvi disputam o telemóvel para comunicar comigo. O Vila tenta mediar a situação. As botas cheias de lama e a chuva que, afinal, não caiu (Eu sabia!) são o entusiasmo da conversa. A Paulinha quer dizer-me algo… disse-o e sentiu-se mais feliz. E eu por ela. Falam, discutem, brincam e eu sinto-me numa dimensão etérea. No escuro da minha casa, a cabeça ensonada, estou lá mas estou cá.

04:36 Algum 93…
A Paulinha estava apostada em terminar com o saldo do telemóvel de qualquer vivente que se lhe cruzava pelo caminho… Contou-me a sua paragem no Milenário, o que lhe fez lembrar, a sua expiação e reencontro com o que é realmente importante. Palavras que não se dizem, que às vezes pensamos que não precisam de serem verbalizadas, mas que, no tempo certo, são como a ausência da chuva na noite do Pinheiro.

04:45 Careca
Paulinha continua a sua saga de esgotar créditos alheios em chamadas internacionais. “Amanhã pago-lhes, este ano não trouxe nada comigo, só dinheiro e chaves, e sabes bem porquê.” Sei, Paulinha, claro que sei! J Enquanto a Paulinha monopolizava os aparelhos de comunicação móvel, imagino a Silvi a tentar também mandar de sua justiça, usurpando, quando podia, o telemóvel. Nisto tudo só tive tempo de mandar um beijo ao Careca e Laipaz.

Os saldos esgotam-se e eu estou feliz. Estive lá. Quando conversarem sobre o Pinheiro eu também terei histórias para contar.

Para a posteridade deste Pinheiro, fica a minha caixa sem o seu autocolante 2008 e as minhas inexistentes fotos da loja do Palmeiras, onde todos, de nariz e dedo indicador espetado, procuram a sua cara/estado/grupo.

28 novembro 2008

Descobri um novo mestre

Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais...

Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar!
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar...

Onde você ainda se reconhece
na foto passada ou no espelho de agora?
Hoje é do jeito que achou que seria
Quantos amigos você jogou fora?

Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender?
Quantos segredos que você guardava
hoje são bobos ninguém quer saber?

Quantas mentiras você condenava?
Quantas você teve que cometer?
Quantos defeitos sanados com o tempo
eram o melhor que havia em você?

Quantas canções que você não cantava
hoje assobia pra sobreviver?
Quantas pessoas que você amava
hoje acredita que amam você?

Lista, por Oswaldo Montenegro

Passaporte & Opiniões




Quero aqui dizer que eu tenho todo o direito de emitir as minhas opiniões sobre Cabo Verde, porque é cá que vivo, pago os meus impostos e faço parte da força produtiva do país. E vice-versa. Reconheço todo o direito do cabo-verdiano (ou outra nacionalidade qualquer) de dizer de sua justiça sobre/no meu (também dele) país, para o qual, neste momento, contribui mais do que eu.

Por que é que é preciso um passaporte para emitir opiniões?

Raça & Competência


Escher (@ educ.fc.ul.pt)


Porquê o espanto se um asiático ganhar uma eleição na Etiópia? Ou um europeu no Equador? Ou um latino na França? Ou um africano nos EUA? Por que é que a raça é pré-requisito de competência?

Espantem-se! O presidente dos Estados Unidos é afro-americano. Ou africano. Ou americano. Não sei. Isso interessa, mesmo?

Alvíssaras! A América elegeu um timoneiro negro e incomoda-me tanto alarido. É que não me queria espantar, não queria ver este espanto global. Gostava que a primeira característica, que os jornais dão à estampa depois da sua eleição, fosse outra coisa que não a sua raça. Se McCain tivesse vencido, ler-se-ia pela imprensa mundial “Branco ganha eleições norte-americanas”? Não, pois não?

Só no dia em que a raça for indiferente à eleição de uma PESSOA para determinada função é que viveremos realmente em equidade. Quando ser preto, branco, azul ou amarelo deixar de ser um carimbo e um pró ou contra de qualquer avaliação.

É que isso irrita-me, chateou-me este tempo todo em que o mundo andou em histeria global. Como se a raça de uma PESSOA fosse determinante para a qualidade do desempenho do seu trabalho. É, faz-me espécie!


Não seria boa ideia destruirmos esta Babel mental que está dentro de todos nós?

24 novembro 2008

A ti.


(Autor cujo nome não consegui saber @ Galeria de Artes Visuais Latino-América)

A ti.

Adoro a tua maturidade e o nosso olhar cúmplice
Adoro a tua diplomacia e como acreditas no teu sonho
Adoro a tua atitude decidida e confiante
Adoro dançar contigo
Adoro que gostes tanto de mim

Gosto de recordar a nossa história comum
Gosto da tua sede de saber
Gosto das tuas criancices e de como me fazes rir
Gosto da tua cortesia e cavalheirismo
Gosto do teu sorriso e do exemplo que és para mim

Admiro o teu optimismo e como me ensinaste a relativizar os problemas da vida
Admiro a tua inocência e a tua vontade de me protegeres dos males do mundo
Admiro a tua disponibilidade e como cuidas de mim quando estou triste
Admiro o teu auto-sacrifício e como fazes das dores dos outros, as tuas…


Adoro-te, gosto de ti e, sobretudo, admiro-te muito.
Sou abençoada por te ter.