15 fevereiro 2011

Isto revolta-me

O Young Channel foi feito a pensar neles e só neles

O que me revolta realmente nestas empresas que se dedicam aos jovens, que se vangloriam por criar boas ideias para os jovens e que pretendem ter uma função pedagógica ao lançar temas sérios para jovens é que sejam a verdadeira antítese daquilo que advogam.

São péssimos exemplos para os jovens pois, para eles, só têm o trabalho precário para oferecer. Isto para não falar das empresas que atraem os jovens para "experiências de uma semana", aproveitando-se do trabalho que desenvolvem com afinco para ficarem com o famigerado estágio profissional. No fim dessa "experiência" levam com um "entraremos brevemente em contacto contigo e quase de certeza que ficas". Depois nem sequer se dão ao trabalho de escreverem um e-mail, por muito negativa que seja a resposta.

São empresas que vivem à base de estágios profissionais que depois de terminados, os "abençoados" estagiários levam o "pontapé no rabo", um habituée das relações laborais desta geração (feita de) parva.

São empresas conhecidas na região por esta prática. Fica aqui a ressalva e não são só palminhas para um projecto para jovens que vai sobreviver à custa da desesperada procura pela sobrevivência... dos jovens.

08 fevereiro 2011

Xícara

Porque serão indispensáveis em qualquer boa colecção de música: EP dos Xícara disponível através do site da editora Mdparte ( http://www.mdparte.com/ ) ou através do mail xicara.music@gmail.com .





07 fevereiro 2011

26 anos

Soprar velas traz-me mais pensamentos avaliadores do último ano do que propriamente o histerismo do reveillon. Penso em 2010.

Amor. Apareceu-me do nada, como tudo o que é melhor na vida, veio naturalmente sem ansiedades, sem medos, sem inseguranças, amor puro e simples, transformando-se em tudo o que sempre sonhei para mim.

Margarida. A nossa primeira menina, luz de vida, esperança num mundo maior. Quando ri e nos toca com as mãozinhas muito pequeninas faz apagar tudo e tudo renasce imaculado. É conforto, é confiança, é felicidade. Faz-nos querer ser melhores por ela e para ela.

Casamento. A consagração do amor de duas pessoas é sublime para o par e para quem com eles partilha esse momento, o momento. Felicidade por quem tem tudo o que merece. O brilho do vestido, o sorriso emocionado, os dedos sinceramente entrelaçados, o caminhar pelo vermelho-alegria. Tudo tão belo, tudo tão imaculadamente belo.

Dança. Foi um ano de paixões, ou melhor de descoberta de paixões, daquelas que arrebatam e absorvem, que sugam energias e forças, que frustram e nos disparam como cometas. A fixação em cada movimento do pé: o som seco do arraste do pé no chão de madeira, o subtil roçar dos calcanhares, a elegância do cetim, as cabeças encontradas, as mãos que queimam o olhar, numa intimidade distante. Eu descobri o tango.

Música. Não posso deixar de olhar para o calendário e ver que cada mês teve o seu concerto ou festival: Skunk Anansie, Nouvelle Vague, Festi Angola 2010, Bem Harper, Bons Sons, Avante, Andanças, Paulo Flores, Moonspell, Mariza, Mayra Andrade e o maior dos maiores: Pearl Jam!

(Escrito aos 20 de Dezembro de 2010, meio feito à sorte e às vezes fugindo ao propósito da coisa, sem qualquer ordem de importância porque tudo é mais)

14 dezembro 2010

Calma

Calma é uma assistente social grávida tranquilizar uma mulher transtornada por lhe terem cortado o subsídio, logo este mês, que é mês de Natal. "Só" porque não levou a filha às consultas de ortopedia e ela mesma não foi ao controlo obrigatório da metadona, condição 'sine qua non' para receber o famigerado RSI.

Calma é essa assistente social grávida ouvir ameças a uma colega sua (que estava igualmente calma), de que lhe vai "cortar a cara", de que vai matá-la, de que ela vai saber o que é fome e continuar com o rosto inalterável: nem uma tremura no lábio, nem um espremer de mãos, nem uma contracção no sobrolho.

Calma é essa assistente social grávida ser alertada por alguém bem menos calmo de que a mulher transtornada já pegou na faca e a escondeu no bolso, ser-lhe perguntado por que é que ainda não se chamou a polícia e responder, com toda a calma do mundo, que já ligaram há uma hora mas que ainda não chegaram.

Calma é essa assistente social grávida - e as suas colegas, inclusivamente "a ameaçada" - permanecer não impávida mas serena e recorrer ao ditado que lhes retrata a vida: Este é o pão nosso de cada dia por aqui.


9.10.2010, numa instituição de solidariedade social pública em Guimarães

Sobre a procura de emprego

"A resposta mais humana que recebi foram as mensagens automáticas enviadas electronicamente."

Filipe, 30 anos

Casa dos segredos

"É como ver uma colónia de formigas, só que menos activas."

Filipe, 30 anos

Medo

"Eu também sou medricas, mas não tenho medo de nada e sou mais forte que os adultos."

Susana, 5 anos

02 dezembro 2010

Tu

Mais do que
_____meu amigo
_____prova de bondade
_____sorriso de luz
_____magia na entrega
_____sina de sorte
_____linha comigo cruzada
_____amor da minha vida

És a minha esperança em algo maior!

NICOLINAS

Nascemos, crescemos, tornamo-nos adultos e morremos. Brincamos, zangamo-nos, procriamos e desaparecemos. Este é o resumo do ser humano. Mas às pessoas de Guimarães, àquelas que trazem no ADN um amor a uma cidade demasiadas vezes mais madrasta que mãe, está reservado um acontecimento, não pontual mas perene, que os acompanha em cada estágio da vida: as Nicolinas.

Está tão enraizado que só tarde, quando os de fora nos "abrem os olhos", é que nos apercebemos da singularidade de uma tradição com mais de 300 anos. Dá-se um clique. É que estas festas são tão naturais no nosso crescimento como esfolar um joelho ou jogar ao elástico.

Hoje de manhã cedo, enquanto caminhava até ao comboio, ouvi aquele batimento cardíaco exclusivo da minha cidade: o rufar das caixas ao compasso do bizarro fantoche. O ouvido estranhou: hoje é dia 02 de Dezembro... O Pinheiro já passou, as Maçazinhas, Pregão, Posses, Magusto, Baile e Danças ainda estão por vir. Só poderia ser o chamamento para as Novenas.

E, à medida que os meus passos rápidos me afastavam daquele som, a alma ia caminhando mais cheia de Guimarães.

Xícara

É com alegria imensa, daquela à pais babados, que te vejo subir ao palco. Quero ver-vos por muitos mais plateaux, tantos quantos a vossa música com certeza merece.