
(dia 30 de Junho, 2010)
"A energia vem do coração e a alma não se entrega, não!"
Hoje completo 25 anos de VIDA. A ponta da caneta espera instruções de um cérebro, também ele, à procura de directrizes, de um rumo. À descoberta desta ansiosa Catarina dos sonhos (im)possíveis, próprios e para os outros.
Pensei enumerar uma lista de tudo o que quero, mas resolvi que se calhar não é muito boa ideia. Não vão lá as forças superiores achar que sou ingrata. Por isso, acho que hoje, quando morder a vela não vou desejar mas sim agradecer.
A lista de agradecimentos, essa, é enorme – qual discurso de actrizes histéricas em noite de óscares. Hoje quero principalmente agradecer por estar viva. E por ter uma família, composta por pai, mãe, irmã e irmão, que amo acima de tudo, maior que um sentimento, maior do que as palavras conseguem dizer.
Porque hoje completo 25 anos de VIDA permito-me todas as lamechiches, lugares-comuns e perdoo-me este tom egocêntrico do que escrevo.
Rodam na minha cabeça - como uma bobina de filme antigo onde em cada frame há um amigo - todos os amigos que me deram um pedacinho de si e assim me fui construindo e transformei-me neste jogo de legos que sou, com várias cores e formas.
Ah! este meu múltiplo ser que tanto me complica a vida. Sim, mas já entendi que descomplicando o complicado é como se é feliz.
Hoje queria de presente de aniversário um dia de verão, com um sol imponente no céu da minha cor, que nos faz semicerrar os olhos e ao vermos entre as pestanas, ficamos perante um mundo de circulozinhos de luz... Estão 6ºC e chuva. A vida também não é sempre como queremos que ela seja, pois é? Afinal temos que luta com as armas que temos, sem qualquer espécie de conformidade. Por isso, vou ali apanhar um pouco de chuva na cabeça, aproveito para descomplicar um bocadinho, e já volto!
Sabem aquelas alturas em que nos sentimos a explodir de orgulho? Neste sábado, 05, foi isso que me andou a fervilhar no peito com o concerto de Tributo a Amália. Orgulho por termos uma forma tão sublime de cantar sentimentos, por termos músicos talentosos e cheios de alma e por ver que temos o futuro da nossa música assegurado com fadistas como a Carminho e o Ricardo Ribeiro. Imagens belas ficaram neste meu baú: o "fado blues" do Rui Veloso, as lágrimas de viver a música, a presença do homem cuja música nos avisou da liberdade, uma casual Casa da Mariquinhas e o quadro vivo de uma deusa do fado.